quarta-feira, 20 de maio de 2009


Meio Século de Pura Elegância!
Marqués de Murrieta Castillo Ygay Gran Reserva Especial Cosecha 1959

De vez em quando a vida nos proporciona surpresas inusitadas. Ter a oportunidade de degustar, e beber uma boa quantidade (1 garrafa para 6 pessoas), de um grande vinho com 50 anos de vida e em perfeitas condições, não acontece todo dia, muito menos no Brasil. Foi um privilégio propiciado por um grande amigo também apaixonado por vinhos!
Composição: Corte típico de Tempranillo, Garnacha, Mazuelo e Graciano.
Amadurecimento: Elaborado no estilo tradicional da Rioja, após um estágio de 26 anos em tonéis de carvalho americano, repousou outros 5 anos em garrafa antes de ser lançado ao mercado no início da década de 1990. Observações: Produzido pela vinícola apenas em safras consideradas excepcionais (1917, 1925, 1934, 1942, 1952, 1959, 1964, 1975...).
Impressões: Estilo típico da Rioja, com bela cor granada (mais vermelho que rubi), translúcido e brilhante, sem indicar sua longa idade.
Os aromas da Tempranillo, discretamente frutados, exibiam sem exageros, a complexidade aromática esperada, com notas de tabaco, couro e madeira.
Na boca, taninos finíssimos, combinados com excelente acidez, e o maior destaque: um grande equilíbrio entre os elementos principais (taninos, acidez e álcool) que denotam qualquer grande vinho.
Confesso que a persistência na boca foi menor que a esperada (mas 50 anos, são 50 anos...), no entanto não diminui o brilho deste vinho inesquecível! Mais um vinho na categoria de Hors Concours!
A Expand vende algumas safras antigas, se não me engano, 1975 e 1995 ainda estão disponíveis.
Até a próxima taça!

domingo, 22 de março de 2009

Moet & Chandon Dom Perignon e Veuve Clicquot La Grande Dame 1996



Divas da Champagne!
Moet & Chandon Dom Perignon e Veuve Clicquot La Grande Dame 1996
Estas duas Champagnes safradas são como divas numa ópera! Ofuscam tudo à sua volta com o glamour e a qualidade que as cercam, principalmente quando são de uma safra tão especial na região quanto 1996. Existem muitos outros Champagnes dignos de nota, mas a regularidade e o volume produzido por estas duas casas é impressionante! Lamentavelmente, toda excelência tem seu preço, cerca de R$600,00 cada garrafa.
Tive a oportunidade de bebê-las na 1ª reunião deste ano da minha confraria, aproveitando o intenso calor que ainda faz em Vitória.
Não é necessário dizer que as duas honraram devidamente suas reputações e agradaram muito todos os confrades.
Veuve Clicquot La Grande Dame 1996 (WS95/RP95)
Composição: O blend deste Champagne é composto de 64% Pinot Noir escolhido de vinhedos Grand Crus em Ay, Verzenay, Verzy, Ambonnay e Bouzy nas montanhas de Reims. Completam o vinho base 36% Chardonnay de 3 vinhedos Grand Crus: Avize, Oger e Le Mesnil-sur-Oger, todos na Côte des Blancs.
Impressões: Indiscutivelmente, um Champagne diferenciado, com um "plus" de tudo de melhor que se possa desejar num Champagne. Com 13 anos de idade, não perdeu nem um pouco do frescor, com sua cor palha levemente dourada e uma perlage fina e intensa, a Grande Dame nos oferece um complexidade e intensidade aromática fantásticas. Notas de cítricos (tangerina em especial) e frutas secas e uma acidez perfeita completam o leque de sensações desta belíssima Champagne. Acredito que ela possa se manter assim por pelo menos mais 10 anos.
Moet & Chandon Dom Perignon 1996 (RP98/WS93)
Composição: Praticamente 50/50 de Pinot Noir e Chardonnay dos melhores vinhedos da Moet & Chandon e posteriormente amadureceu 8 anos nas caves subterrâneas da Maison.
Impressões: Se era possível encontrar algo mais em uma Champagne, a busca acabou. A Dom Perignon 1996 é sublime, a quintessência máxima deste nobre fermentado! Cor palha muito sutil, um frescor absoluto, com aromas muito intensos e de uma gama extensa de notas aromáticas. Um paladar muito rico, com evidente sabor cítrico, lembrando lima-da-pérsia. Conseguiu a proeza de ser extremamente refrescante e sedosa ao mesmo tempo. Tenho de concordar com Robert Parker (que provou muitas outras safras...), é a melhor Champagne que já bebi!
Considerações:
Em casos assim, o preço, a fama e as notas são irrelevantes, o que resta (e não é pouco) é a satisfação de apreciar o apogeu de uma bebida que deu tanta dor de cabeça para seus produtores, até dominarem completamente o processo de fabrico e de armazenagem deste líquido único. Aos que tiverem esta oportunidade, não percam!
Luiz Cola

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Martinez Bujanda Grandes Reservas 1973

Um jovem senhor de 34 anos de idade!

Martinez Bujanda Grandes Reservas 1973

Esta preciosidade foi adquirida (por incrível que pareça) numa ponta de estoque da Mistral no início de 2007, por cerca de R$190,00 (preço de catálogo US$115,00).

Diante da idade, não poderia aguardar (nem queria!) muito para abrí-lo. A oportunidade surgiu naquele mesmo ano, no aniversário de um amigo que havia nascido em 1973. Dei o vinho de "presente" (na realidade o presente era abrir o vinho naquele dia!) para ele.

Preparamos então todos os procedimentos cabíveis para bebê-lo, decantamos suavemente e fomos passando para os copos, tentando aproveitar o máximo daquela experiência sensorial.

Composição:
100% Tempranillo
Amadurecimento:
Meros 25 "anos" em grandes tóneis de 20.000 litros, provavelmente de carvalho americano (não achei a confirmação).
Observações:
Como deu para perceber, o vinho passou 25 anos repousando nos tonéis e foi engarrafado em 1998. Portanto, a rolha estava perfeita e quase não haviam sedimentos (ficaram no tonel e/ou foram filtrados).

Impressões: Estilo típico da Rioja, cor granada (mais vermelho que rubi), quase transparente, mas com nenhum indício de sua longa idade no halo levemente alaranjado.

Os aromas da Tempranillo eram ainda levemente frutados, mas a complexidade aromática de notas de tabaco, defumados e madeira sobressaía nitidamente e tinham ótima intensidade.

Na boca, taninos muito finos, combinados com uma acidez perfeita, e o grande destaque: a presença da madeira, que descrevo como música ambiente (não a notamos até que a desliguem e o "ambiente" não fica mais o mesmo) da melhor qualidade, tornando o conjunto gustativo muito mais rico. A persistência na boca foi outro mérito, daqueles vinhos que se mantém no palato por longo tempo (e moram eternamente na memória!).

Considerações:
Infelizmente, nunca mais vi no catálogo da Mistral, e nem sei se a Martinez Bujanda elaborou outras safras além das de 1968, 1973 e 1975. Se alguém achar COMPRE ou ME AVISE!

Detalhe: Vinhos como este não precisam de nota, estão na categoria de Hors Concours!

Luiz Cola


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Terrazas Afincado Malbec 2004

Atendendo a pedidos!
Terrazas Afincado Malbec 2004
Este é o top da linha Terrazas da Chandon argentina, baseada em Mendoza, que também faz uma versão com Cabernet Sauvignon e Petit Manseng (colheita tardia). Inicialmente, só existia o Malbec e se chamava Terrazas Gran Malbec, sendo o primeiro produzido na safra de 1997.
Comprei uma caixa deste vinho no Free Shop do Rio, quando voltava de uma viagem. Por US$44,00 é a melhor compra a fazer (na minha opinião), se levarmos em conta sua qualidade e o custo quase 3 vezes maior nas nossas lojas. Preço médio: R$240,00. Quando o dólar estava R$1,80, representava apenas R$80,00!
Composição:
90% Malbec e 10% CS
Amadurecimento:
18 meses em barricas de carvalho francês novo.
Observações:
Como já havia mencionado em outro post, o diferencial da linha Terrazas é o conceito de plantar cada varietal em diferentes alturas e microclimas na região de Mendoza, buscando alcançar o máximo potencial da casta, ilustrando nos seus rótulos a altura dos vinhedos.
Impressões:
Produzido num estilo menos "fruta superconcentrada", comum de se encontrar em tops argentinos, este Afincado proporciona um vinho de cor rubi intensa, mas translúcida e brilhante, deixando um pouco luz passar pela taça.
Os aromas da Malbec são bastante nítidos e intensos (compota de frutas vermelhas), mas são completados por algumas notas de couro e defumado, procurando se assemelhar a um tinto bordalês. Daí talvez a razão dos 10% de CS.
Nao paladar o vinho traz a grata surpresa de já estar excelente para beber (ao contrário de outros argentinos simplesmente intragáveis depois do equivalente a uma dose de degustação), com taninos finos e macios, ótima acidez e boa persistência. Acredito que possa melhorar bastante ainda, talvez dure com a mesma qualidade por até 8 a 10 anos. Faço esta afirmação baseado nas safras 1997 e 1999 que provei em 2005 e 2007. Em 2005, os vinhos estavam com belos aromas de evolução e bastante finos e intensos. Em 2007, boa parte deste encanto já se perdeu. Assim, as 3 garrafas que ainda tenho, beberei entre este ano e 2012.
Considerações:
Pena que seu custo seja desproporcional quando comparamos com quanto custam na Argentina, mas para os que derem a sorte de encontrá-lo no Free Shop (ou implorem a um amigo...), vale cada centavo dos cerca de R$100,00 que custariam hoje.
Dei 91 pontos para ele. Em 2005, 0 1997 (93) e 0 1999 (91), já em 2007 o 1997 (90) e 1999 (89).
Luiz Cola

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Terrazas Alto Malbec, Shiraz e Cabernet Sauvignon 2006

Bons e Baratos!

Terrazas Alto Malbec, Shiraz e Cabernet Sauvignon 2006


A Chandon (do grupo LVMH) tem sua base argentina em Mendoza, onde produz uma variada linha de vinhos que vão, do espumante ao excelente tinto Afincado (antigo Terrazas Gran).
Dentro da família de vinhos Terrazas, a linha Alto nos proporciona o desejado custo x benefício, tendo o custo médio de R$30,00 por garrafa nos supermercados e lojas especializadas.
Tive a sorte de comprar várias garrafas dos três tintos varietais disponíveis no Brasil (eles fazem um Merlot também, mas nunca vi...) por módicos R$19,98 num supermercado de Vitória, no final do ano passado e resolvi abrir os 3 tipos juntos e avaliar as nuances entre eles.
Composição:
Todos são 100% Malbec, Syrah e CS respectivamente
Amadurecimento:
4 a 6 meses em barricas de carvalho usado, oriundos da linha Reserva (70% do mosto). 4 a 6 meses em carvalho francês e americano.
Observações:
A maior particularidade destes vinhos é o conceito de plantar cada varietal em diferentes alturas e microclimas na região de Mendoza, buscando alcançar o máximo potencial da casta, inclusive fazem questão de ilustrar isto em seus rótulos (pode ser um pouco de marketing, mas os resultados tem sido muito bons!).
Impressões:
Por serem jovens, a cor de todos é bastante intensa, com leves variantes tonais decorrentes da característica de cada varietal. Escuros e densos, denotam o caráter de fruta bem madura e concentrada encontrada também na linha Reserva.
Os aromas da Malbec e da CS são facilmente distinguíveis e típicos, mas no Syrah, o aroma de frutas passificadas é tão potente que esconde quaisquer outros que possam existir.
Na boca, os vinhos mostram claramente seu propósito, serem macios e concentrados, com muita fruta e fáceis de beber. Perfeitos para uma pizza ou massa no restaurante ou ainda, algum petisco que preparamos em casa para assistir um filme ou ver um jogo de futebol no meio da semana.
Considerações: Desde seu lançamento no Brasil, em 2000, tenho bebido com frequência os vinhos dela linha Alto e até então, tem se mostrado confiáveis, regulares e ótima pedida quando o custo fala mais "alto" (perdõem o trocadilho!)
A exceção fica para o Afincado, que no Brasil, tem um preço proporcionalmente muito mais alto que na Argentina, na comparação com as linhas inferiores.
Luiz Cola

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Villa Francioni Sauvignon Blanc 2007

Brancos, o Brasil além dos espumantes!

Villa Francioni Sauvignon Blanc 2007

Continuando a sequência de brancos do verão, eis aqui um dos melhores, senão o melhor branco que já provei produzido do Brasil, lá da Serra Catarinense (São Joaquim e Bom Retiro), onde o visionário Dilor Freitas, um bem sucedido industrial, criou um projeto muito pessoal e que vem demonstrando com os vinhos já produzidos, ter um grande futuro.
Devem haver outros fornecedores, por aqui, é vendido na Casa do Porto, por cerca de R$65,00.

http://www.villafrancioni.com.br/port/ficha_vinho11.html
Composição: 100% Sauvignon Blanc.
Amadurecimento: Sem passagem em madeira.
Impressões: Cor amarelo verdeal, muito límpida e cristalina.
Os aromas são intensos, predominando frutas tropicais, mas com um caráter mineral bem marcante.
No paladar, oferece ótima acidez, secando bem a boca e com ótima persistência, completando um conjunto de sensações que tornam este vinho um belo caldo para a nossa muqueca capixaba (o resto é peixada!)
Considerações: Como na maioria dos melhores vinhos brasileiros, esbarramos na questão do preço. R$65,00 para um vinho nacional é bem caro. Basta comparar com o vinho da postagem anterior (Amayna SB 2007, do Chile), de custo similar, mas com uma série de custos adicionais para chegar até nossas taças. Por uns R$40 seria uma ótima pedida. Quem sabe um dia!
Na minha avaliação pessoal, merece 89 pontos.

Luiz Cola

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Garces Silva Amayna Sauvignon Blanc 2007

Ainda dá tempo de curtir o verão!

Garces Silva Amayna Sauvignon Blanc 2007:


Apesar deste dólar maluco, aproveitei a "promoção" de fim de ano da Mistral (US$1=R$1,99) e comprei alguns vinhos para provar no verão. Dentre os que já provei, a grande estrela foi este belíssimo branco do Vale San Antonio, bem perto do Oceano Pacífico, contribundo decisivamente para o incrível frescor deste vinho.


Composição: 100% Sauvignon Blanc.


Amadurecimento: Sem passagem em madeira.


Impressões: Cor amarelo verdeal, muito límpida e cristalina.

Aromas muito intensos (seu maior mérito) de frutas tropicais, em especial o abacaxi, mas com nuances de melão e carambola bem evidentes.

Na boca, sua relevante acidez conseguiu refrescar muito bem sem causar uma secura demasiada, para usar uma expressão das cervejas, desceu "redondo". A cada gole, temos a sensação de querer mais!. Certamente um dos melhores Sauvignon Blancs do dito "Novo Mundo". Para beber o mais jovem possível!

Harmonização:

Acompanhou divinamente um Risoto de Lagosta e Camarão VG (facilidades de morar junto da praia...) que eu mesmo preparei. O vinho que já estava excelente na versão solo, com o prato... hummm!!!

Considerações: Existe a versão 'barrel fermented" deste vinho, mas custa quase o dobro. Não acho que vale a pena! Fique com 2 garrafas deste no lugar de 1 da versão com passagem em madeira. Ele não é um SB muito barato (US$33), mas não é caríssimo (pelo menos no Brasil) como os SB (também excelentes) da Casa Marin. Dei 92 pontos para ele.

COMPREM!!!

Luiz Cola